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Só podia ser a Tigre mesmo

Silvio Cesar

 

Bordões, para alguns, são um anacronismo do marketing indesejável.

Mas é aquilo que fica. Que diz que um pneu é sempre um pneu. Basta ouvir para a mente fazer a conexão automática com a marca. Aposto que você fez.

Parafraseei o Chaves para falar da Tigre.

Uma marca que fazia, nos anos 40, pentes feitos de chifres de boi.

Que, no começo dos anos 50, introduziu o PVC no país.

E criou toda uma linha de tubos e conexões sanitárias que viriam a revolucionar a construção civil brasileira.

Ensinou a usar o produto, promoveu cursos e manuais.

Porque apostou que seu produto era confiável.

Trazia segurança.

Al Ries e Jack Trout afirmam que a força de uma organização vem da força do produto, da posição que ele ocupa na mente das pessoas.

Porque a única realidade que existe é aquela que já está na cabeça do povo.

Na pirâmide de Maslow, a segurança está no segundo nível, acima das necessidades fisiológicas.

Foi nisso que a família Hansen, dona da Tigre, apostou.

Eles não criaram a necessidade. Manipularam o que já existia na mente de seus consumidores e direcionaram para um produto.

Que durava muito. Que era confiável. Não enferrujava como os antigos tubos de ferro. Trazia unidade em toda instalação hidráulica e sanitária.

Um produto que ficava escondido. Não aparecia. 

Você tinha que confiar.

José Eustáchio, ex-chairman da Talent Marcel, diz que segurança não é um valor físico e a Tigre foi a primeira a agregar esse valor a um produto. 

Ela repete esse posicionamento há mais de 40 anos.

Muda a forma, muda o slogan. A mensagem principal continua.

Isso traz lições importantes. Ainda mais nesses tempos fluidos.

Em que verdades são substituídas por incertezas.

E o medo.

Como diz Luciano Pires, “não há mais espaço para o planejamento de longo prazo, sustentado na persistência em uma construção conceitual sólida. Tudo se tornou caro e obsoleto. Caro porque raro, obsoleto por ser demasiadamente humano.”

Um dos primeiros slogans da Tigre foi “Tem que ser Tigre.”

A Tigre nos lembra do poder da marca.

Da capacidade de gerar conexão e fidelidade.

Valores que muita gente aposta que não existem mais.

Voltadas para as vendas, perdem em fortalecer marcas.

Voltadas para números, esquecem de fazer conexões.

Tudo isso é importante, mas não é tudo.

Acreditamos naquilo em que confiamos.

Devemos, como profissionais do marketing, recriar conexões.

Porque marcas podem ter alma. Marcas são sonhos de outros que se tornaram realidade. São criações intangíveis que adquirem personalidade própria.

Estão vivas.

 

Silvio César

Publicitário, formado em Comunicação Social pela UniFanor, com pós-graduação em Marketing na Uni7. Com passagem em várias agências de publicidade de Fortaleza, atualmente está explorando as novas fronteiras das fintechs, com atuação no marketing da startup Conta Médica.

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