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Mundo BANI – o que é e como lidar com ele?

Redação

O que era VUCA (volátil, incerto, completo e ambíguo), virou BANI (quebradiço, ansioso, não-linear e incompreensível)

 

A pandemia transformou tudo de uma maneira muito rápida, antecipando mudanças que já eram aguardadas. Mas não é de hoje que o mundo sofre transformações, tanto é que um termo o definia desde os anos 1990: era o Mundo VUCA, acrônimo do inglês para Volatile, Uncertain, Complex e Ambiguous que no português fica VICA (Volátil, Incerto, Complexo e Ambíguo). O conceito descreve a dinâmica dos acontecimentos no mundo, pautada pelas transformações rápidas e desafios globais e vem sendo aplicado no mercado que utiliza a tecnologia como a força motriz para a criação de novos modelos de negócios, personalizados pelas startups.

 

O termo se atualizou, para tentar descrever o contexto atual, ainda mais complexo e caótico. Surgiu, então, o BANI (Brittle, Anxious, Nonlinear, Incomprehensible), no português QANI (Quebradiço, Ansioso, Não Linear e Incompreensível).

 

Convidados do Conexão Secitece, live/debate semanal promovida pela Secretaria da Ciência, Tecnologia e Educação Superior, discutiram o assunto (https://www.youtube.com/watch?v=Kqtgjw0lHac), e o Nosso Meio lista aqui algumas das reflexões que nortearam o bate-papo. Mediado pela secretária executiva da Secitece, Nagyla Drummond, com os inconformMAKERs Marcos Hirano e Thiago Fernandes (B2INN – Business to Innovation) e o coordenador do CriarCE, Thiago Barros. 

 

“As coisas no mundo BANI não são simplesmente instáveis, são caóticas, que não são apenas difíceis de prever, mas sim completamente imprevisíveis, ou seja, também não há nesse contexto simplesmente uma ambiguidade, mas uma incompreensão natural de tudo gerada por esse caos”, explica Marcos Hirano.

 

Hirano afirma, porém, que o mundo sempre foi caótico, complexo, com muita coisa acontecendo ao mesmo tempo, em muitos lugares. Mas esse momento que estamos vivendo, que pode ser chamado de era da informática, era da informação, é a tecnologia, sobretudo a internet, que possibilita o compartilhamento de informações que antes eram monopolizadas. 

 

Segundo ele, o principal fator que acabou com esse monopólio é a existência de um meio de comunicação democrático, que permite que todos tenham não apenas acesso, mas produzam informação. Diante do caos, portanto, é importante “olhar para dentro, para onde, de alguma forma, conseguimos controlar o que está dentro da gente – o autoconhecimento. Se a gente consegue trabalhá-lo, a gente sofre menos com o que não conseguimos controlar de fato”, recomenda. 

 

Thiago Fernandes destaca que é necessário flexibilidade para lidar com esse tempo, com esse novo mundo. Além disso, entender que ninguém consegue fazer tudo sozinho. Segundo ele, a partir do momento que se entende que o paradigma agora é de colaboração, entre entes, setores e pessoas, é possível continuar produzindo inovação. 

 

Thiago Barros afirma que ninguém sabe o que fazer com tanta informação. Como se não bastasse, a pandemia tornou tudo ainda mais complexo, porque trouxe grandes mudanças em pouquíssimo tempo. “Quando a gente tenta fazer inovação, a gente esbarra em incertezas, em ansiedades. Modelos de pesquisa tradicionais vão mudar para métodos não-lineares. A pesquisa não é mais construída tijolo por tijolo, mas muda rapidamente, de forma que se aproveita algo do que se está criando ou não se aproveita nada. Alguns modelos de negócio, até mesmo digitais, deixaram de existir. O mundo se tornou bipolar e tem horas que não sabemos o que fazer com ele”, descreve.

 

Apesar do caos, Thiago Barros diz que é importante conhecer esse Mundo BANI, para saber o que fazer no futuro. É importante entender o conceito de “fragilidade” – que faz as pessoas enlouquecerem quando cai o WhatsApp fica fora do ar – para perceber que não estamos amparados sobre ombros de um gigante que é a tecnologia, mas sim sobre tecnologias extremamente frágeis, que hoje rege o mundo. Vale entender o mundo “ansioso e imediatista”, que tem que mudar extremamente rápido, que nem se termina uma coisa, e já passa pra outra. Vale refletir sobre a “incerteza”, mas apesar dela lembrar que é possível aprender a fazer o certo e passar a fazê-lo. E vale pensar sobre o “incompreensível”, já que não conseguimos entender o que está por trás de muita coisa do mundo de hoje, como por exemplo o algoritmo do Google e o relógio de pulso que mede seu batimento cardíaco. “Mas é importante saber como faz, para não terceirizar o conhecimento, porque nós temos condições de produzir conhecimento. Entender o Mundo BANI é necessário, para que a gente saiba que: ou a gente retoma de volta algumas rédeas, ou perdemos o controle”, conclui. 

 

 

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