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Vacinou Acelerou – Interna

Entrevista com Valmir Lins

Redação

Em seu perfil do Instagram ele é “o menino dos vídeos”.

E de fato, seus vídeos são baseados em um alto nível de criatividade e em um apelo visual admirável. O influenciador Valmir Lins diz que virou mania “questionar tudo desde 1991” e foram estes questionamentos que o transformaram em um grande escritor, o fizeram cursar psicologia e até o transformaram em cantor.

Considerando suas experiências e as múltiplas observações que faz do mundo, Valmir utiliza as redes sociais para expor reflexões sobre temas do cotidiano de todos nós e é bem realista ao utilizar sua intuição como guia e ao mergulhar profundamente neles.

Ele diz ser péssimo planejador e que por isso suas falas são decorrentes de insigts momentâneos que acabam por resultar em interação com o público. As reflexões e pensamentos propagados por Valmir atraem os mais diversos tipos de pessoas na internet por serem relacionados à sentimentos e à sensações com as quais a maioria se identifica.

 

Valmir falou exclusivamente com o Nosso Meio e contou um pouco sobre a sua história, inclusive como ele passou a amar o Ceará e como resolveu viver em Fortaleza.

 

  1. Como surgiu usar as redes sociais como forma de conscientizar as pessoas nas suas rotinas? 

Acho que chegou de maneira tão genuína pras pessoas porque a intenção não foi essa. Eu buscava acolhimento e uma consciência maior. De mim, dos princípios de coletividade, do respeito a todo e qualquer indivíduo… Compartilhando meus devaneios, me vi falando muita coisa importante pra mim mesmo e, de quebra, me vi tocando o coração de muitas pessoas.

 

  1. Os assuntos abordados dizem muito também sobre você, qual tema mais te tocou? 

Quando comecei a gravar eu tava saindo de um divórcio, sobrevivendo a um processo que me partiu em vários pedaços. Gravar sobre aquilo era intenso. Colocava o telefone em frente a mim, começava, parava pra chorar… enfim. Mas colocar pro mundo foi fundamental pro processo de cura.

 

  1. Cada story seu funciona como uma “crônica cotidiana”, você escolhe previamente os assuntos que vai falar ou é algo de momento? 

Quase 100% dos insights são do momento. Sou péssimo com planejamento. Precisa pulsar de verdade dentro de mim pra sair, sabe? É tão doido que uma vez vi uma xícara da Vista Alegre que amo na mesa de centro. Tava lá, suja de café, há três dias. Por impulso, fiquei louco, porque é uma porcelana rara, edição limitada, e manchou. Em seguida vi o quão bobo eu tava sendo. A marca fazia parte da história da xícara. Do tanto que ela serviu – e ainda serve – à minha história. Associei imediatamente ao pavor que a gente tem das marcas e cicatrizes. Virou vídeo. É um dos mais compartilhados do meu perfil. Juliette me mandou mensagem dizendo que chorou quando assistiu. Um amigo dela transformou em música, vamos gravar o clipe mês que vem. Enfim, nada como um insight verdadeiro.

 

  1. Alagoano que escolheu o Ceará como lar, como isso aconteceu? 

Eu brinco que o Ceará me escolheu (risos). Vim com minha mãe em 2011 pra abrir uma loja. Dois anos depois, o negócio não deu certo. Mainha voltou, mas eu tinha conhecido meu namorado, tava apaixonado, não quis ir embora. Fui ficando. O namorado virou namorido. Pouco a pouco fui construindo a minha vida profissional aqui. Quem disse que eu quero ir embora agora? Me separei mas, quando vi, minha vida toda tava no Ceará. Me sinto em casa aqui. Sou muito grato a esse chão que me fez germinar tão verdadeiramente.

 

  1. Você agora está enveredando ainda mais no ramo da música, quais suas expectativas? 

Eu tô. E me dá um frio na barriga daqueles. Sou fascinado por música. Coleciono vinis, cassetes, cds… Ano passado fiz um vídeo analisando o disco de estreia da Tiê, “Sweet Jardim”. Alguém mandou o vídeo pra ela, que mandou uma mensagem dizendo que nunca ninguém tinha ido tão certeiramente no que ela sentiu. No fim da mensagem falou que queria ser minha amiga. A gente foi trocando experiências pelo instagram, combinamos de fazer fotos juntos em São Paulo e, nesse shooting, ela me chamou pra, inicialmente, escrever o novo single dela. Quando entreguei a letra, ela disse que queria que eu cantasse junto. Ou seja, levei um golpe da cantora (risos). O que eu não imaginava é que eu cantava direitinho. Quando cheguei no estúdio, os produtores ficaram rindo, olhando um pro outro, e eu sem entender. Quando cheguei em casa, Tiê me falou: “Val, você canta”. Aí pronto. Levei meus escritos pros meninos e a gente começou a produzir algumas canções. Tenho algumas prontas na gaveta. Não sei se vou soltar. É tudo muito íntimo e me dá um pouco de medo. Mas a música com a Tiê sai. Em novembro. Dois dias antes do meu aniversário.

 

  1. As suas ideias ultrapassam ultrapassam as telas e motiva muita gente afora, o que acha sobre isso?

Isso alimenta em mim a ideia de que eu tô fazendo algo pro mundo, pras pessoas. Meu maior medo sempre foi ser alguém irrelevante, focado na própria narrativa, que nada contribuiu pra uma sociedade que carece tanto de suporte. Eu fico emocionado diariamente com as mensagens que recebo. Brinco que o Instagram é minha segunda casa, minha segunda família.

 

  1. Planos futuros, o que Valmir Lins espera conquistar nos próximos anos? 

Eu quero conquistar mais pessoas, levar minha experiência pra um público cada vez maior. Ter a liberdade de fazer isso através da comunicação visual, da escrita, da música. Me livrar cada vez mais dos rótulos, sabe? Me sentir cada vez mais livre pra me expressar e, através disso, fazer com que as pessoas se sintam mais confortáveis e seguras em suas experiências. Eu quero ajudar o outro no impulso de ajudar a mim mesmo.

 

  1. Você cursa psicologia, esse cuidado e atenção com o bem-estar afetivo das pessoas refletem no que o Valmir é hoje, sobretudo seu trabalho.

Eu sempre fui um cara atento. Sempre escutei todo mundo ao meu redor, me preocupo com o bem estar de quem está do meu lado. Fazer isso profissionalmente é uma delícia. Não vou dizer que não cansa, porque cansa, mas é gratificante. Confesso ter um pouquinho de medo da pressão de ser essa “fada sensata”, porque tenho minhas incoerências, meus bloqueios, minhas falhas. E acho que todo pedestal é burro. Contudo, enquanto sentir que tudo isso tá fazendo bem pra mim e pro outro, continuarei em frente.

Eu tô cursando Psicologia porque sou um inquieto incurável (risos). Ano passado comecei a abordar temas relacionados à isso porque eu mesmo precisava receber aqueles conselhos. Pouco a pouco vi que podia linkar aquilo com o conhecimento que essa segunda graduação me proporcionava, ainda que use um fundamento ou outro, porque não quero nunca perder a singularidade da minha experiência e, se falar como um quase psicólogo, minha experiência terá que ficar do lado. É mais um jeito de falar com propriedade sobre o que penso, sabe? Algo que nosso país carece nesse momento.

 

  1. O que vc acha das marcas utilizarem influencers no processo de propagação e divulgação de suas imagens e qual sua opinião sobre como esses novos influencers fazem isso?

Se houver química e conteúdo relevante nessa relação, acho que é uma excelente ferramenta. Uma maneira de ver o produto ou serviço serem contextualizados no cotidiano de alguém. Ambos devem saber a responsabilidade de utilizarem um do outro, de compartilharem dos meus valores e anseios e do papel de influência que têm sobre a sociedade e os meios de consumo.

 

  1. Como vc se sente como um dos ícones da campanha do RioMar que valoriza a pessoa idosa?

Eu me sinto em casa, abraçado por uma família que me acolhe, me entende e me dá liberdade de fazer a diferença que acredito ter potencial pra fazer no mundo. O Riomar não valoriza somente a pessoa idosa. O Riomar valoriza o ser humano em sua totalidade, independente dos seus predicados. Parceria que me alegra o coração.

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