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Entrevista com Severino Ramalho Neto, diretor-presidente do Mercadinhos São Luiz

Redação

Empregado desde 1977 nos Mercadinhos São Luiz e obedecendo a um plano de carreira, tornou-se sócio da empresa com seu tio, João Melo, no final da década de 80. Em 2008, após o falecimento do Sr. João, passou a dividir a direção dos Mercadinhos São Luiz com seu irmão, Luiz Fernando Melo Ramalho. Foi presidente da Associação Cearense de Supermercados (ACESU) entre os anos de 2013 e 2014. Em 2014, foi eleito presidente da Câmara dos Dirigentes Lojistas de Fortaleza (CDL Fortaleza) para biênio 2015-2017.

Atualmente, é Diretor da Câmera dos Dirigentes Lojistas de Fortaleza (CDL); Diretor da Federação da Câmara dos Dirigentes Lojistas do Ceará (FCDL-CE); Conselheiro Fiscal da Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS); e Delegado da Associação Cearense de Supermercados (ACESU).

 

Como iniciou sua trajetória como empresário?

Em 1976, de férias na capital cearense, aceitei o convite do tio João para acompanhar a rotina de trabalho dos Mercadinhos São Luiz, na época, com 3 unidades. Sem saber na época, iniciava ali minha trajetória dentro da empresa. Sempre tive uma ótima relação com meu tio que via em mim um parceiro, um amigo.

Já no primeiro dia acompanhando a rotina de trabalho, passei por um teste. Tio João Mello me entregou um saco cheio de pacotinhos de café. “Arruma isso”, ordenou. Dentro dos saquinhos havia o “apurado” de todas as lojas. Cada pacote era referente a um caixa e ao fim do dia, Sr. João fazia a conferência dos valores. Naquele dia, foi minha vez. Eu tinha 17 anos.

Assumi o compromisso de trabalhar com meu tio, muito mais por gratidão pelo que meu tio tinha feito pela minha mãe e minha família, do que por vontade de trabalhar. 

O início foi como empacotador pós-caixa, posição que valorizo na empresa até os dias atuais, pois é uma posição que coloca o funcionário em contato direto com o público e permite que valorizem o cliente. Em cerca de um ano, passei por todas as áreas dentro da empresa, até ser convidado para tirar as férias do gerente da loja da Parquelândia. Era uma das três unidades do grupo, que tinham em média 300 m² cada.

 

O que você considera como característica marcante do seu trabalho?

Acreditamos nas pessoas e aproveitamos o que cada uma tem de melhor. Essa característica trazemos de berço, e é o principal valor do São Luiz: gostamos de gente e sabemos que são as pessoas que determinam o futuro e norteiam as decisões.

 

Quais foram os desafios que surgiram ao assumir a gestão dos Mercadinhos São Luiz?

Desafios são sempre presentes na carreira do empresário brasileiro, mas para citar um deles, em 2000 nós tínhamos 15 lojas e foi necessário vender nove delas para o Grupo Pão de Açúcar. Mas todo processo difícil nos traz também oportunidades, se estivermos sensíveis e abertos a elas. Entramos na Super Rede, o que nos ajudou a repensar a empresa, tentar fazer com a empresa a mesma coisa que o tio João fazia com as pessoas: ressaltar aquilo que a gente tinha de bom, perceber defeitos e trabalhar. Na época nós só tínhamos atendimento, hoje nós temos o melhor serviço de Fortaleza.

 

Quais suas principais conquistas como empreendedor?

Eu diria que é reunir um time diverso com muita qualidade para realizar, a muitas mãos, o trabalho do dia a dia,  é fundamental para mim ter o Fernando comigo dividindo essa gestão.  É importante estar cercado de pessoas/profissionais com visões diferentes da sua, para expandir as possibilidades. Então, é uma conquista que na verdade não é minha, mas de um time. Esse time é responsável por fazer do Mercadinhos São Luiz um lugar que é considerado a segunda casa de muitos dos nossos clientes.

 

Estamos passando por um momento ímpar no que se refere a saúde e por conseguinte a economia, quais os principais desafios enfrentados como empresário?

Eu diria que o principal desafio é tomar decisões rapidamente e diariamente, para se adequar às mudanças que estão surgindo. Além disso, comunicar muito bem as novidades para todos os públicos – líderes, colaboradores, clientes, fornecedores. No São Luiz, nós criamos um Comitê de Crise, com reuniões diárias e sistemáticas, para a resolução rápida e focada das situações; e adotamos um boletim diário das diretrizes para as lideranças das unidades com as decisões e informes das ações necessárias para melhor atendimento dos clientes e colaboradores. 

 

Quais as principais estratégias os Mercadinhos São Luiz estão investindo para vencer com esse novo momento de retomada da economia?

Para o setor de supermercados, o período de março até agora foi de crescimento nas vendas, o que não significa que não tenhamos enfrentado desafios. Logo no início, a missão foi tranquilizar todas as pessoas: funcionários, clientes e fornecedores, de que nossas portas permaneceriam abertas com toda segurança para se trabalhar e comprar; de que manteríamos o abastecimento e não faltariam produtos nas lojas, de forma a não haver uma corrida exagerada para estocagem de alimentos. Para isso, nosso contato próximo com os fornecedores foi fundamental, para que a rotina de abastecimento da nossa Central fosse mantida e, consequentemente, de nossas unidades. 

Como os supermercados foram um dos poucos a permanecer com funcionamento normal, tivemos que adotar medidas de segurança nas lojas, com base em orientações da OMS e Ministério da Saúde. 

E, para suprir uma demanda que naturalmente cresceu, fizemos ajustes no nosso delivery, e estamos investindo em algumas novidades nesta área, que serão anunciadas em breve. 

 

 Quais as principais lições que ficam?

As crises, como essa de saúde que estamos enfrentando, sempre nos ensinam algo. Vou listar três lições principais: 1) temos uma capacidade incrível de nos adaptar ao novo e de nos reinventar para sobreviver da melhor forma; 3) A comunicação foi e é determinante, falo da comunicação simples e eficaz com o foco nos valores, na transparência; 2) não temos como prever o futuro, porque a verdade é que as mudanças são grandes e exigem muita atenção do mercado, mas podemos falar em três tendências que merecem atenção: a primeira é preço, porque existe uma crise na economia; a segunda é sanitária, porque os hábitos de higiene mudaram e passaram a ser rotina (lavar as mãos, usar álcool gel, adotar medidas mais rígidas de segurança alimentar, etc); e a terceira é o digital.

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