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Jari Vieira, fotógrafo, professor e fundador do projeto “Padim Pelo Mundo”

Redação

Jari Vieira Silva, professor e fotógrafo há 20 anos

 


1. Como se deu o início da sua carreira de fotógrafo? 

O início da minha carreira como fotógrafo foi na faculdade, quando eu fiz as disciplinas e comecei a me envolver com a fotografia. Logo me tornei monitor da disciplina e no final do curso eu fiz um TCC sobre fotografia, onde eu produzi três ensaios sobre a Romaria de Juazeiro do Norte. Então foi aí o início de tudo, quando eu comecei a me desenvolver como fotógrafo. E aí quando eu me formei no ano de 2002, comecei a atender algumas agências de publicidade e jornais aqui da região. 

 

2.  O que a fotografia significa para você? 

Do ponto de vista pessoal e profissional eu acho que é uma das coisas mais importantes da minha vida, é uma das maiores paixões que eu tenho. Porque é aquilo com que eu mais me identifico. É onde eu mais me encontro e onde eu mais sou feliz. Eu costumo dizer que tanto eu trabalho com fotografia, como o meu hobby também é a fotografia. Então eu fotografo tanto profissionalmente, como no meu dia a dia de forma pessoal. A fotografia pra mim é uma fatia muito importante da minha vida. 

 

3. Quais as suas principais referências no mercado da fotografia? 

As minhas principais referências no mundo, eu cito o fotógrafo já falecido Henri Cartier-Bresson, um dos grandes nomes da fotografia mundial e também o já falecido Robert Doisneau, outro fotógrafo francês que tem uma frase muito famosa, que diz que ele não fotografava a vida como ela era e sim como ele gostaria que ela fosse. Já minhas referências no Brasil eu cito o fotógrafo Sebastião Salgado, gosto muito do trabalho dele e no Ceará as minhas referências são os fotógrafos Celso Oliveira, Tiago Santana e José Albano.

 

4. Você pode nos contar um pouco sobre o projeto #PadimPeloMundo? Desde o seu início até hoje?

O Padim pelo Mundo é um projeto que eu costumo dizer que não fui eu quem o criou, na verdade o projeto veio até mim. Ele surgiu porque, na realidade, aconteceu o falecimento da minha avó em 2016, por quem eu ainda sou profundamente apaixonado. No momento do ocorrido eu estava inclusive com alunos em São Raimundo Nonato no Piauí, na Serra da Capivara. Vim às pressas para Fortaleza, bastante abalado e no dia do enterro dela, eu fiquei de fazer um pronunciamento e colocar no caixão uma estatuazinha do padre Cícero no qual ela tinha me presenteado anos atrás. No desespero, acabei esquecendo a estatuazinha no bolso e um irmão meu, pegou no meu ombro e disse: “Ele ficou com você porque ela queria que ficasse”. Então na minha primeira viagem para a Europa, eu decidi levar o padrinho comigo e lá em um momento muito importante decidi bater uma foto dele. E assim eu fiz na virada do ano da época, na Champs-Élyssés, principal avenida de Paris, com uma multidão de pessoas. E como uma homenagem a minha avó, coloquei no meu Instagram, inclusive tendo inúmeras curtidas e comentários, sem a menor pretensão do que viria depois. Quando eu cheguei em Fortaleza, alguns jornais já queriam me entrevistar para saber do projeto. Inclusive, eu continuei, sempre que eu viajava, eu levava o Padim, colocando  a hashtag #PadimPeloMundo e assim eu tenho feito até hoje. Inclusive, Padim já visitou vários países e cidades também. 

 

5. O que mais lhe inspira dentro desse projeto? Qual a mensagem que ele leva para as pessoas? E qual a mensagem que o projeto traz para você? 

Sem sombra de dúvidas é a minha avó. Saber que quando eu tiro uma foto do Padim é como se um pedacinho dela estivesse ali comigo, de alguma forma vivendo esse momento, conhecendo esse lugar junto comigo. Eu fico muito feliz quando vejo os alunos que também passam a dar mais valor a família, por conta do projeto, quando sabem da essência do projeto, que é a valorização da família, das pessoas próximas, porque também não deixa de ser uma valorização da cultura. E para mim, o projeto traz  a mensagem de valorização da cultura nordestina, de você poder mesmo não morando mais em Juazeiro, carregar um pedacinho da minha cultura, onde quer que eu vá. A cultura do Nordeste, Ceará, Juazeiro do Norte, do Padre Cícero. 

 

6. Qual a repercussão das pessoas em relação ao projeto #PadimPeloMundo? 

A repercussão das pessoas é sempre muito positiva. Até hoje, todo mundo fica muito curioso em querer saber. Muita gente acha que eu estou divulgando apenas o padre Cícero e na realidade não é só isso, como eu disse anteriormente. E aí quando as pessoas descobrem o que tem por trás dessas fotos, despertam vários sentimentos positivos, principalmente de identificação com a cultura. 

7.  Além de mestre da fotografia, sabemos que você é professor na Universidade de Fortaleza e da Uni7. Como é o Jari Vieira professor? O que ele aprende constantemente com os alunos? 

O Jari Vieira professor é uma pessoa que tá todo dia muito feliz! E tem duas coisas que eu digo que sou muito apaixonado que é a fotografia e a imagem. E poder transmitir isso para os alunos é a coisa mais gratificante que eu sinto, poder repassar tudo isso de alguma forma, contribuindo no conhecimento de outras pessoas. O que mais aprendo constantemente com meus alunos é me reciclar e me renovar. Como se eu pudesse rejuvenescer em está ali convivendo com pessoas de outras idades, de outras gerações.

 

8. Tem algum projeto que você realiza além do #PadimPeloMundo? Fora ou dentro da Universidade? 

É o projeto Pau de Arara que é desenvolvido juntamente com os alunos da Universidade de Fortaleza, onde eu levo os alunos para conhecer o Nordeste, a cultura do Nordeste. Vão em média quarenta e cinco a cinquenta alunos e também alguns professores comigo, com o objetivo de conhecer o Nordeste, de valorizar a nossa cultura, de valorizar o Nordeste, de se reconhecer ali naquela cultura através da fotografia e do vídeo. 

 

9. Qual dica ou mensagem você pode dar para os profissionais de fotografia que estão iniciando a carreira? 

A dica que eu dou, é sempre o que eu digo para muitos alunos. Se você acha que vai aprender fotografia apenas fotografando, você está errado. A gente aprende fotografia fotografando, mas a gente aprende fotografia também vendo as fotografias dos outros. Fotografias de referências ou de quem você acha referência. Então faça uma mescla entre tirar fotos, analisar suas fotos e também compreender, ler e analisar as fotos dos outros colegas e de outros fotógrafos. Tente juntar isso daí que você vai ser um grande fotógrafo. Não fique esperando a melhor câmera chegar na sua mão, porque ela não existe. A melhor câmera na realidade, vai ser sempre a câmera que você tem. Seja o seu celular, seja uma câmera profissional.

 

10. Você poderia indicar ao Nosso Meio e aos nossos leitores opções de livros ou podcasts sobre fotografia? 

Eu tenho um livro que eu acho muito bacana que é o “Tudo Sobre Fotografia” da Juliet Hacking. Ele serve como referência. Outro livro que foge um pouco da essência técnica fotográfica, mas é um livro que amplia a nossa ideia de composição de enquadramento e de arte é o “Universo da Arte” da Fayga Ostrower. E o terceiro livro é o “Fotografia & História do Boris Kossy para quem se interessa em conhecer um pouco o surgimento da fotografia, como é que ela se desenvolveu.

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