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Entrevista com Aline Oliveira, Repórter do Sistema Verdes Mares e GloboNews

Redação

ESPECIAL DIA DO REPÓRTER

Aline Oliveira é jornalista com 17 anos de experiência profissional em televisão. Atualmente, repórter na TV Verdes Mares, afiliada da Globo no Ceará. Faz matérias para os telejornais locais e para os telejornais de rede, além de reportagens para a GloboNews. Vencedora de vários prêmios de jornalismo, em nível estadual e nacional, como o Premio Sebrae, Prêmio BNB, Prêmio CDL e Prêmio Alexandre Adler de Jornalismo.

 

1. Conta um pouco sobre sua trajetória profissional

Terminei a faculdade de jornalismo em 1998 e neste mesmo ano estava inaugurando a TV Diário. Nunca tinha passado pela minha cabeça trabalhar em televisão. Quando pensei em fazer jornalismo, só me via trabalhando em jornal impresso. Mas sempre digo que a necessidade, muitas vezes, é o que define as coisas. Eu estava me formando, precisava de emprego e surgiu a TV Diário e lá eu comecei e fiquei por três anos. Depois, em 2001, fui para a TV Verdes Mares, onde estou até hoje.

 

2. Quais os desafios você encontra na atuação como repórter?

Os desafios são muitos e são diários. Cada reportagem nos impõe desafios, isso, claro, se estivermos dispostos a sempre buscar o melhor e não ficar apenas no piloto automático. Hoje, acho que o maior desafio é entender e buscar o diálogo com outros meios digitais que surgiram e vêm surgindo com a internet. As redes sociais, por exemplo, permitem que todo mundo produza seu próprio conteúdo para o bem e para o mal. O jornalismo profissional tem o papel de atuar com a informação séria, checada, verdadeira. Mas como fazer isso de um jeito que as pessoas gostem de ver? Esse é um grande desafio, por isso, a mudança constante nas linguagens… acho que ainda não tem uma receita definida para isso, mas seguimos tentando e experimentando.

 

3. O que mudou com a chegada do online para quem trabalha como repórter?

Acho que uma coisa não mudou e não muda: repórter trabalha com fatos, com verdade, com informação checada, isso não vai mudar. Acho que a maior questão hoje é a forma de veicular isso. As redes sociais “ensinaram” as pessoas a receber informação de uma forma leve, coloquial, humanizando os fatos e até mesmo os profissionais, que, hoje, já podem, inclusive, demonstrar emoção. O desafio é saber a medida disso. Como falei antes, estamos experimentando e isso tem sido uma delícia.  

 

4. Você faz matérias locais e nacionais para GloboNews, existe alguma diferença na elaboração dessas matérias para local e nacional?

Os fatos não mudam, mas a contextualização sim. Sempre que veiculamos reportagens nacionais, seja na GloboNews ou na Globo, canal aberto, precisamos dar dados nacionais, por exemplo, para mostrar qual o peso daquilo que acontece aqui pro país. Um exemplo: não basta dizer que o Ceará gerou x empregos na pandemia, precisa saber o que esse x representa, foi o maior ou menor do país? Do nordeste? Então, é sempre importante ter essa visão geral que, nas reportagens locais,  nem sempre se faz necessário.

 

5. Qual foi o momento mais marcante da sua carreira?

Difícil dizer um. Mas posso assegurar que tudo que envolve gente, histórias de vida, todos os momentos em que tive a oportunidade de, de alguma forma, contribuir para melhorar a vida de uma pessoa ou de uma comunidade, isso se torna marcante pra mim. 

Em 2008, por exemplo, contei, em uma reportagem para o Fantástico, a história do Ricardo, um jovem da zona rural de Varzea Alegre, que, mesmo em condições desfavoráveis (de família humilde, de agricultores, com uma grave doença de saúde que o impede de andar) ganhar medalha de ouro numa olimpíada nacional de matemática. A capacidade e o mérito da conquista da medalha foram todas do Ricardo, mas ter dado visibilidade à história, ajudou a mudar a vida dele, que, depois da reportagem, foi levado para uma casa na sede do município pela prefeitura, ganhou cadeira de rodas, computador, livros e muito mais. Hoje, o Ricardo é formado, conseguiu comprar a casa onde mora com a família e estuda para passar em concurso público para professor. Ou seja, conseguiu ir além do provável para um menino pobre, da zona rural do Ceará e com um problema de saúde. 

E essa é só uma das muitas histórias que me emocionam e me dão orgulho de ter tido o privilégio de mostrar.

 

6. Qual perfil o profissional de comunicação precisa ter para atuar como repórter?

Primeiro, tem que gostar de gente de todos os tipos, sobretudo, daquelas pessoas para as quais nosso trabalho pode fazer a diferença, precisa ter disposição física e mental também porque não é fácil reportar os mais variados assuntos. Cobrir uma pandemia e os dramas relacionados, por exemplo, mexe muito emocionalmente comigo e, acredito, com todos os jornalistas, precisa, em alguma medida, estar preparado ou se fortalecer para isso.

Precisa ter humildade pra ter uma boa escuta, saber escutar o outro  e ter um olhar humano podem fazer a diferença numa reportagem. Por fim, esqueça um glamour, repórter trabalha debaixo de sol, chuva e, muitas vezes, em condições adversas. Trabalho muito. Então, não pense só no “lado bom” de aparecer, ser repórter é muito mais que isso.

 

7. Você traz na bagagem diversos prêmios em jornalismo, o que significa para você esse reconhecimento?

Os prêmios são um grande incentivo e nos deixa orgulhosos, digo “nós” porque nenhuma reportagem, sobretudo para tv, é feita só pelo repórter. Mas prêmio é só uma consequência. Existem reportagens que nunca ganharam prêmio algum e que para mim tiveram e têm um peso imenso.

 

8. O que você mais gosta em trabalhar como repórter?

De conhecer e interagir com pessoas variadas: das mais simples, pessoas que são sumidades no que fazem… pessoas. Isso pra mim é a melhor parte do meu trabalho.

 

 

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