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Empresa Familiar: Sucessão não, transmutação.

Cícero Rocha

Talvez um dos temas mais discutidos sobre empresas familiares seja a sucessão. Mas vejo uma certa leitura míope ou falta de profundidade epistemológica no trato, que pode trazer sérias consequências e o insucesso do mesmo.

 

Podemos ver o fenômeno sucessão por vários aspectos, mas aqui pretendo tratar na perspectiva de alguém substituir alguém, como predominantemente é tratado pelo mercado, sucessor substitui o sucedido.

 

Dessa forma destaco algumas questões críticas, se bem observadas, tornam esse fenômeno ou processo, um grande aliado na perpetuação da empresa familiar – indivíduos, família, negócios e patrimônios -, Sendo:

 

1. Quando falamos de pessoas é fundamental que fique claro que em plena era do conhecimento, humanização, sustentabilidade, criatividade, tratarmos pessoas como máquinas ou objetos, fizeram parte da era industrial, era dos “recursos humanos”. No caso de uma sucessão ninguém vai substituir outro indivíduo e sim promover uma nova dinâmica de posições e ambientes. Parece simples essa colocação, mas a não compreensão nessa perspectiva faz com com que o sucedido por vezes, consciente ou inconscientemente, fique tentando retornar ao estado anterior pelo simples fato que ele está com a sensação que não mais vai existir no sistema. O sucessor também se sente incomodado ou até culpado por esta extinguindo ou excluindo um outro indivíduo, que no caso de uma empresa familiar quase sempre é uma alguém querido e admirado. Num processo saudável não se efetiva uma “amputação”, e sim se  transforma elevando para um estado superior de qualidade ao do anterior;

 

2. A empresa familiar possui uma caraterística premente que é a de se perpetuar, tem um mapa mental fundamentado na infinitude, diferentemente da não familiar que é possui uma orientação pra finitude – vender, fechar, mudar de dono. Assim sendo, toda a intervenção no sistema empresa familiar tem que está orientado a atender a sua perpetuidade, pra que  possa dar e  ter sustentabilidade. Deixar claro e de forma transparente a continuidade por meio dos novos papéis posições, projetos de vida, que o fenômeno não é um evento e sim um processo, que precisa ser tratado com seriedade, respeito e profissionalismo. Isso tudo garante uma segurança emocional em todos os envolvidos com suas consequências positivas pra perpetuação do todo – indivíduos, família, negócios e patrimônio -.

 

3. Destaco aqui os cuidados com os sucedidos. Faz-se necessário ser sensibilizado, uma conversa séria, de preferência auxiliado por um profissional especialista no assunto, para a construção ou resgate de um propósito de vida, quer seja no atual negócio ou em outros, como mentor de alguém, colaborador em obras sociais, participar de um novo projeto empresarial, de instituições de classe, escrever a história da família.

 

4. No caso do sucessor destaco que tenha com frequência conversas sérias com o sucedido, diga o que está sentindo, o quanto ele pode colaborar no processo e o que está dificultando, mas sempre de forma bem específica, assertiva e humana. Respeito e humildade são as palavras chaves.

 

Por que transmutação e não transformação? A diferença entre transformar e transmutar está na profundidade de compreensão e atuação sobre as causas. Quando você transmuta, salta para um nível superior, tem haver com um grau de entendimento pleno dos aspectos que podem e vão interferir no bem estar de todo o sistema empresa familiar. É o que propõe o método BFB – Balanced Family Business – desenvolvido pelo Instituto Empresariar: balancear todo o sistema pra perpetuar.

 

 

 

 

Cícero Rocha

Mestre em administração e educador, professor de MBA de escolas Americanas e Brasileiras, seus artigos, pesquisas científicas e metodologias tem sido estudados nos maiores eventos sobre Empresas Familiares da Europa. É uma das maiores autoridades em empresas familiares do Brasil. Criador do primeiro método brasileiro especializado em transformar empresas familiares: o método BFB. Fundador do primeiro instituto Brasileiro especializado em empresas familiares: Instituto Empresariar. É o especialista em empresas familiares com maior atuação prática no País, já implantou mais de 1800 projetos em mais de 600 empresas em todo o território nacional. Como Conselheiro externo já auxiliou em mais de 30 grupos empresariais nos últimos 20 anos. É referência na mentoria de famílias empresárias, executivos, líderes, conselheiros e consultores de empresas familiares. Como conferencista já dividiu plateia com as maiores autoridades do mundo sobre o tema empresas familiares.

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