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Efervescência cultural e legado: 100 anos da Semana de Arte Moderna

Redação

Neste mês de fevereiro, celebramos o centenário da Semana de Arte Moderna de 1922, evento que orientou novos rumos para a produção brasileira artística e cultural

 

Marco oficial do modernismo brasileiro, a Semana de Arte Moderna – ou Semana de 1922 – aconteceu no Teatro Municipal de São Paulo e reuniu artistas das mais diversas áreas, entre os dias 13 e 18 de fevereiro de 1922. No período, o país encaminhava-se para o fim da República Velha (1891-1930) e o início autoritário do Governo Vargas. (1930-1945), marcado pela expansão do capitalismo industrial. Por ironia do destino, o mesmo contexto pandêmico instaurado por volta de 1918, que fez toda a população mundial se confinar em casa sob ameaça da gripe espanhola, se repete a partir de 2020, com duração ainda maior, mas agora com atenção a Covid-19.

Seja em 1922, seja em 2022, algumas características da nossa sociedade permanecem. A multidão segue atuando em lutas políticas coletivas; os indivíduos operam ainda nas infraestruturas e superestruturas de produção e consumo de mercadorias materiais e imateriais; a disseminação de informação em redes e dispositivos continua pulsante.

Revisitar a Semana de 22 envolve avaliar avanços e recuos, que fazem surgir novas reflexões sobre a produção cultural brasileira.  O termo “Modernismo” nomeia um período de tempo que incorpora também o pré e o pós como apostos para fins didáticos, mas na verdade, estamos falando de modernismos, no plural, quando se trata de Brasil. Se no momento de sua realização a Semana de Arte Moderna pouco repercutiu fora de São Paulo, o espaço ocupado pelos seus protagonistas na grande imprensa e a circulação das publicações nos anos seguintes propiciaram que as novas ideias estéticas cruzassem as fronteiras dos estados brasileiros e até mesmo dos países vizinhos, chegando à Europa, já em 1923.

Manifestos, poemas, romances, pinturas, design gráfico, esculturas, moda, monumentos, edificações, músicas, livros e revistas foram pontes e contrapontos para a reflexão sobre identidade, diversidade e novas manifestações estéticas que emergiam diante das transformações dos espaços públicos e privados de São Paulo. Assim, a Semana de 22 configura-se historicamente como a primeira manifestação coletiva pública a favor de um espírito novo e moderno em oposição à cultura de teor conservador.

 

Modernismo no Ceará

No Ceará, o Modernismo chegou através da publicação do livro “O Canto Novo da Raça”, de Jáder de Carvalho, Sidney Neto, Mozart Firmeza e Franklin Nascimento em 1927, e a fundação do jornal O POVO, em 1928. Posteriormente, em 1941, surgiu o Centro Cultural de Belas Artes (CCBA), fundado por Mário Baratta, sendo a primeira entidade dedicada às artes visuais em Fortaleza. Em 1944, a Sociedade Cearense de Artes Plásticas (SCAP) foi fundada no Ceará.

 

Comissão Organizadora da Semana de Arte Moderna, incluindo Manuel Bandeira, Mário de Andrade e Oswald de Andrade.

 

Em São Paulo, apresentações musicais e conferências intercalavam-se às exposições de escultura, pintura e arquitetura, com o objetivo de introduzir ao cenário brasileiro as mais novas tendências da arte.

Principais artistas da Semana de Arte Moderna de 1922:

Arquitetos: Antonio Moya, Georg Przyrembel;

Escritores: Manuel Bandeira, Graça Aranha, Ronald de Carvalho, Guilherme de Almeida, Mario de Andrade, Menotti del Picchia, Oswald de Andrade,

Escultor: Victor Brecheret;

Músicos: Ernani Braga, Guiomar Novais, Heitor Villa-Lobos;

Pintores: Anita Malfatti, Emiliano Di Cavalcanti, John Graz, Vicente do Rego Monteiro, Candido Portinari.

Cartaz da Semana de Arte Moderna, por Di Cavalcanti (Foto: Reprodução)

Grupo dos Cinco

O Grupo dos Cinco foi o grupo de artistas que idealizou a Semana de Arte Moderna no Brasil, formado pelas pintoras Anita Malfatti e Tarsila do Amaral, e pelos escritores Menotti Del Picchia, Oswald de Andrade e Mário de Andrade.

Em 26.50 cm x 36.50 cm, Anita Mafaltti desenhou em 1922 o Grupo dos Cinco, onde retratava uma reunião com Tarsila do Amaral, no sofá; Menotti del Picchia e Oswald de Andrade, no tapete; Mário de Andrade e Anita Malfatti, ao piano. Esse grupo foi responsável pela ideia do Modernismo brasileiro.

 

Anita Malfatti

Nasceu em São Paulo em 1889. Foi pintora, desenhista e professora. É considerada a precursora do movimento modernista brasileiro. Em 1910, foi para Alemanha aprender arte. Lá, conheceu pintores modernos, como Loris Corinth, com quem aprendeu técnicas expressionistas. Sua primeira exposição ocorreu em 1914, após retornar da Europa. Foi em 1917, quando realizava a sua segunda exposição que conheceu Mario de Andrade, com quem viria a idealizar a Semana de Arte Moderna. Anita se aprofundou nas teorias das cores e passou a misturar as tintas diretamente na tela. Entre suas obras mais conhecidas temos A Boba, O Homem Amarelo e A Estudante Russa. Esta última faz parte do acervo do Museu de Arte de São Paulo (MASP).

 

Mario de Andrade

Poeta, escritor, musicólogo e pioneiro da poesia moderna brasileira. Nascido em São Paulo em 1893, é considerado figura central na Semana de Arte Moderna. Estudou música no Conservatório Musical de São Paulo e foi autodidata nas outras áreas. Ficou conhecido pelas obras Paulicéia Desvairada (1922) e Macunaíma (1928). O prefácio de Paulicéia Desvairada é um manifesto inicial do Modernismo no Brasil.

Menotti del Picchia

Nascido em São Paulo, em 1892, Menotti del Picchia foi poeta, romancista, ensaísta, cronista, jornalista, advogado e político brasileiro. Foi ativista do Modernismo, mas sua obra mais marcante é o poema “Juca Mulato”, em que a temática é o caboclo, o maior traço do Pré-Modernismo. Foi fundador, redator e colaborador de vários jornais paulistanos e suas crônicas publicadas no Correio Paulistano, entre 1920 e 1930, constituíram-se numa espécie de diário do modernismo.

Oswald de Andrade

Paulistano, nascido em 1890, foi escritor modernista idealizador da Semana de Arte Moderna e do movimento Antropofágico. Começou a trabalhar como repórter e crítico de teatro no Diário Popular em 1909. No mesmo ano, ingressou no curso de Direito. Em 1911, fundou e dirigiu o jornal semanal O Pirralho. No ano seguinte, deixou o jornal para fazer uma viagem por vários países da Europa. Em Paris, teve contato com as vanguardas artísticas. Ao retornar ao Brasil, em 1917, foi um dos idealizadores da Semana de Arte Moderna. Junto com Tarsila do Amaral, criou o Movimento Antropofágico, que sugeria criar literatura e pinturas nacionais após devorar outras culturas estrangeiras.

Tarsila do Amaral

Foi uma das principais artistas do modernismo no Brasil, iniciando o Movimento Antropofágico nas artes plásticas. Pintora e desenhista, nasceu em Capivari, em 1886. Em 1917, teve aulas no ateliê de Pedro Alexandrino, onde conheceu Anita Malfatti. Estudou em Paris de 1920 a 1922 e não participou da Semana de Arte Moderna. Ao retornar ao Brasil, em 1922, foi apresentada por Anita Malfatti a Mario de Andrade, Oswald de Andrade e Menotti del Picchia, com quem formaria o Grupo dos Cinco. Após uma viagem por Minas Gerais e Rio de Janeiro, passou a retratar paisagens urbanas e rurais com cores típicas da região, usando a técnica cubista. Esta fase ficou conhecida como Pau Brasil.

 

Confira o vídeo divulgado

Fonte:

SILVA, M. J. C.; THOMAZ, L. V. Colorindo a Semana de 22. São Paulo: Editora Datum, 2020.

ANDRADE, Gênese (Org.). Modernismos 1922-2022. Companhia das Letras; 1ª edição, 2022.

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