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Comunicadores e professores compartilham importância da atuação em universidades e mercado

Redação

As universidades contam com diversos professores que dividem suas rotinas entre a academia e o mercado. Os diretores de agências de comunicação, gerentes de marketing em empresas e designers compartilham suas vivências do mercado para as salas de aula. O conhecimento acadêmico possibilita novos pensamentos no trabalho e vice-versa.

 

O Nosso Meio convidou nove comunicadores com atuação em universidade para contar sobre o dia a dia e importância da troca de conteúdo entre as duas funções.

 

Andrea Nery

A Gerente de Marketing do Grupo Geppos divide sua rotina também como professora da UNINASSAU no curso de Publicidade e Propaganda e na UNICHRISTUS como professora do MBA em Marketing. “Diria que o meu dia a dia é insano. Conciliar as responsabilidades e conseguir dar vazão com excelência nas duas áreas de atuação é um grande desafio. Eu dou aula no período da noite e aos finais de semana, no horário comercial estou a frente do setor de marketing do Grupo Geppos. Não nos sobra tempo, mas percebo ganhos em todos os lados. Vivo em constante estudo para atualização dos conteúdos e levo muitos conceitos para prática de mercado, assim como trabalho os exemplos do dia a dia em sala de aula com objetivo de apresentar aos alunos a vivência do ramo publicitário”, compartilha.

 

Sobre a troca de conteúdo entre mercado e sala de aula, Andrea Nery comenta que seus alunos e ex-alunos sempre comentam o quão bacana é ver além dos livros e terem a oportunidade de lidar com cases reais. “A cada semestre tento inovar nesse sentido. Antes do início pandemia e do período de isolamento social, fiz uma parceria com a agência Acesso e Código digital cujos alunos de uma determinada turma de Publicidade foram à agência e apresentaram uma proposta de campanha de acordo com um briefing previamente enviado. Os sócios (Luciana Junqueira, Rodne Torres e Paulo Dório) avaliaram os trabalhos ao vivo e, em seguida, apresentaram quais foram as soluções que eles, enquanto agência, encontraram para aquele mesmo briefing. Foi uma experiência incrível”, afirma Andrea.

 

Camila Coutinho

Diretora de Marketing da Minalba Brasil, Camila Coutinho também atua como professora na UNIFOR, nos MBAs de Gestão de Marcas e Marketing Digital. “Ser professor é para quem tem vocação. É, sobretudo, pra quem acredita no outro, na troca, em gente, em construir junto. Conciliar a entrega que o exercício do magistério pede com a rotina profissional de quem responde por metas, gere pessoas e resultados, não é tarefa fácil, e comigo não seria diferente. Mas nos cursos de pós graduação as aulas são mais espaçadas e então consigo me planejar, atuando em ambas as frentes”, explica.

 

“Bebo da fonte do mercado o tempo inteiro para preparar e ministrar as aulas. Mas com muito cuidado para fundamentar na literatura, nos grandes autores de cada tema, e então trazer em seguida os casos de aplicação prática em cima dos conceitos abordados. Me recordo que tive professores de vários perfis, profissionais academicamente incríveis, mas me marcaram mais os que conseguiam aplicar os fundamentos à realidade”, compartilha Camila. “Ser professora é uma atividade que me dá um enorme prazer. Aprendo muito com as turmas”, finaliza.

 

Céu Studart

A Fundadora da Desencaixa Consultoria e Escola de Marketing, leciona na Faculdade CDL. Na graduação, nos cursos de Marketing, Gestão Comercial, Logística e Administração. Na pós-graduação, nos cursos das áreas de Marketing. Ainda em cursos de pós-graduação de diversas IES do estado, como por exemplo, na Unichristus e na Unifametro. Céu Studart comenta que sua rotina é corrida para conciliar as duas atividades, mas é algo que lhe desafia e faz brilhar os olhos. “Não me imagino sem elas. Vejo as duas atividades como complementares: o docente, por natureza, atualiza-se bastante e desenvolve muitas habilidades importantes que o mercado exige, como comunicação, negociação, didática e empatia. Já o mercado nos traz a prática e a expertise necessárias e que hoje também são fundamentais para o exercício da docência. E o melhor: ambas lidam com pessoas e geram muitos relacionamentos profissionais”, esclarece.

 

A troca de conhecimento acontece, de acordo com a  fundadora da Desencaixa, não tem como separar e isso é uma das grandes vantagens de exercer essas duas atividades. “Não tem mais espaço para o professor que fica só na teoria. É necessário ensinar a fazer, a colocar a ‘mão na massa’, como costumamos dizer. É preciso fazer as correlações entre a teoria e a prática. E isso somente é possível com a vivência de mercado. Já para o mercado, a academia traz teorias, ferramentas e habilidades que agregam muito valor a atuação no mercado”, conta.

 

Cláudio Sena

Professor da Universidade de Fortaleza – UNIFOR e do Centro Universitário 7 de Setembro – UNI7, Cláudio Sena também está a frente da Agência 365 Lab. Sobre o dia a dia em atuar no mercado e também como professor acadêmico, Cláudio considera um privilégio. “Trata-se de um aprendizado constante. Além de poder acompanhar as transformações do mercado, a mudança dos comportamentos dos públicos, analisar e criar estratégias e garantir suas aplicações estando inserido neste mercado. Isso vira conteúdo de sala de aula. É, sem dúvida um processo de troca valiosa, onde posso levar para sala de aula questões, casos e técnicas vivenciados por mim e pelos colegas profissionais. Ao mesmo tempo, observo o comportamento, sobretudo dos jovens, inserido em meio a eles. Isso me obriga a uma renovação constante”, explica.

 

“Muito do que realizei no mercado como comunicador, profissional de criação, estrategista, dentre outras funções passam pelo cruzamento com a teoria e inevitavelmente invade minhas aulas. Relações interpessoais, network, estudos de casos feitos por mim e pelos outros, validações e ampliações de conceitos teóricos, tudo isso, sem dúvida, vira conteúdo. Teoria e prática passam a estar inevitavelmente conectadas”, explica Cláudio Sena.

 

Eugênia Cabral

Além de Coordenadora de Marketing Digital da Caramelo Comunicação, Eugênia atua como professora em três instituições: UniFanor, UFC e na Uni7, onde leciona em cursos de MBA. “É muito interessante ficar transitando nesses dois universos porque enquanto no mercado tudo é para ontem, é tudo voltado para resultado e muito rápido, a academia tem outro ritmo. Você faz uma pesquisa por muitos meses, você analisa muitos fatores, pondera… Então eu fico girando essa chave mercado/academia e trocando velocidade. Acho que me dá um balanço maior. E também é muito rico para o aluno eu poder conversar com eles sobre estágio, mercado e coisas que vão além das disciplinas que eu ensino. Eu acabo lendo currículo, dando dicas… porque eles sabem que tenho uma visão de profissional”, explica.

 

Eugênia acredita que é uma professora melhor por ter a experiência do mercado. Ela consegue levar para a sala exemplos reais, impressões reais. “Ás vezes conto uma história minha e vamos discutindo o que poderia ter sido feito ou não e isso enriquece a aprendizagem. E, como falei, eu consigo orientar os alunos sobre visão de carreira por conta disso. E também acho que sou uma profissional de mercado muito melhor por conta da academia”, conta. A professora compartilha que se atualizar para dar aula, lê artigos, vai para eventos, acompanha pesquisas, e isso estimula suas respostas profissionais. “Eu acabo tendo elementos que só o mercado não me daria. Principalmente porque trabalho com produção de conteúdo e tenho sempre que ficar revendo regras de texto e escrita criativa. Agora, de verdade mesmo, eu queria dizer que sou uma pessoa melhor por ensinar. A troca com os alunos é um compartilhamento de conhecimento, de esforços, de afetos… É uma atuação que me realiza demais”, afirma.

 

Jorge Godoy

Professor no Centro Universitário Unifanor e da Estácio, Jorge Godoy atua também como Designer e faz parte do Laboratório Criativo Esticando a Baladeira. O professor compartilha que há uma pergunta muito comum que todo professor já ouviu alguma vez: “Você trabalha ou só da aula?”. Embora seja uma pergunta inocente, Jorge conta que a questão revela uma série de expectativas que se tem daquele que assumiu a difícil missão de preparar o universitário para o mercado de trabalho. “Infelizmente, para se conseguir atender as exigências da universidade, o professor trabalha – e muito! Precisa se dedicar integralmente à produção de suas aulas, artigos científicos, leituras, congressos, orientações, reuniões e mais uma infinidade de ocupações que vão muito além do ‘dar aula’. É como o atleta que se esforça diariamente em treinos exaustivos para que, quando estiver na prática de seu esporte, tenha aquela sensação maravilhosa de congelamento do tempo. Por isso que dizemos que quando a aula é boa, saímos dela muito melhor do que entramos”, conta.

 

Jorge Godoy comenta que o profissional do mercado não tem uma rotina fácil, ele recebe cobranças que vão desde sua produtividade até sua postura. “No meu caso, por ser designer, ainda sou exigido por minha criatividade, meu portfólio e pela minha constante atualização tecnológica, social e política. Então, tentar equilibrar estas duas atuações exige muita organização, esforço e uma boa dose de senso de humor. É um constante aprendizado sobre seus limites, renúncias e escolhas”, explica.

 

“Não consigo me imaginar deixando de estar em sala de aula, da mesma forma que não me vejo fora do mercado. Além de ser uma necessidade financeira, ainda mais em tempos tão difíceis, estar presente no mercado e na academia possibilita uma visão mais assertiva do meu ofício. Embora haja uma série de discursos precipitados que condenam a academia por não se atualizar ao mercado e, da mesma forma, condenam o mercado por distorcerem a função do ofício em função do capital, entendo que é justamente neste diálogo entre mercado-academia que conseguimos crescer profissionalmente. Percebo que minhas aulas se tornam muito mais interessantes quando falo de situações de mercado e alunos já inseridos nele se reconhecem em meus exemplos e passam a se enxergarem como pertencentes a ambos os universos, assim como eu. Essa sensação inspira os demais a contribuir e reconhecerem-se como protagonistas de seu próprio aprendizado, o que torna a aula muito mais dinâmica e colaborativa”, compartilha o professor.

 

Luana Amorim

A Gerente de Atendimento na Inspira! Comunicação, também leciona na Faculdade Cearense e na Estácio, além de atuar como coordenadora do curso de Jornalismo. “Na minha rotina busco conciliar a atuação no mercado de trabalho e na atuação como professora universitária. Acredito que há um diálogo importante entre as duas áreas de atuação e a constante atualização, tanto as referências bibliográficas e teóricos para ministrar aula quanto a atuação profissional são fundamentais para um bom desempenho. Fico muito feliz quando encontro os meus alunos e ex alunos atuando no mercado”, comenta.

 

Há 13 anos como professora, Luana conta que já participou da formação de muitos jornalistas e publicitários e é muito grata por ter feito parte. “No meu dia a dia como professora há a orientação de TCCs, o que me instiga para a pesquisa e também projetos de extensão, o que me deixa em contato com a comunidade. Sempre cito exemplos do mercado na sala de aula e trago profissionais do mercado para dialogar com a teoria que estamos discutindo! É uma troca de aprendizado constante”, explica Luana.

 

Mauro Costa

Além de atuar como Sócio-Diretor na AD2M Engenharia de Comunicação, Mauro Costa também ministra aulas como professor convidado nos MBAs da Unifor – Universidade de Fortaleza e do Uni7 – Centro Universitário 7 de Setembro, em disciplinas relacionadas às áreas de Jornalismo, Comunicação e Marketing, participando também de eventos temáticos, como semanas de comunicação em outras instituições de ensino superior. “Eu gostaria de dedicar mais tempo para o ensino, atividade engrandecedora e na qual me sinto à vontade por não apenas aprender, mas receber muito dos alunos. A rotina nas agências de Comunicação Corporativa tem se tornado mais exigente nos últimos anos, e ficou ainda mais desafiadora desde o início da pandemia da Covid-19, o que me deixou com menos condições de agenda para eu estar em sala de aula. Mas sempre que sou convidado a ministrar alguma disciplina, procuro ao máximo conciliar os horários e levar para os alunos o que está mais atual no mercado”, compartilha.

 

Mauro acredita que é uma vantagem para o professor estar em plena atuação no dia-a-dia do mercado de comunicação corporativa, porque a dinamicidade do que ocorre nas relações entre agências, clientes e veículos de comunicação precisa e merece ser levada para a sala de aula nas universidades. “Por outro lado, no caso dos cursos de especialização e MBA, nos quais costumo ministrar aulas, o ganho para o professor é igualmente relevante, uma vez que as turmas costumam ser compostas por profissionais também envolvidos nos dramas e desafios diários da profissão. A turma acaba trazendo suas vivências e questionamentos, o que instiga o professor a se preparar ainda mais para conduzir a disciplina e para trazer conteúdos interessantes”, explica Mauro Costa.

 

Paulo Jr. Pinheiro 

O Sócio-diretor da Caramelo Comunicação, Paulo Jr. divide a rotina com as salas de aula como professor do Centro Universitário 7 de Setembro (Uni7) e do Centro Universitário UniFanor (UniFanor). Com bom humor, Paulo comenta que sua rotina é uma correria. “Uma saudável e agradável correria, na verdade. Trata-se de equilibrar as inúmeras demandas diárias com uma rotina necessária de pesquisa e estudo. No fim, estar no mercado, aplicando o que propõem os pesquisadores, é vivenciar o melhor dos dois mundos. Acredito que sou um professor melhor porque estou no mercado, e sou um profissional melhor porque mantenho essa estreita relação com a academia”, conta.

 

“Todo o estudo que preciso ter para levar o conteúdo dos planos de ensino aos alunos respalda muitas das estratégias que proponho aos clientes da Caramelo. Acabo superando o achismo que baseia alguns pontos de vista, e trago referências, cases, análises, que ancoram os diagnósticos e as ações que apresento às marcas que atendemos. Isso traz mais segurança ao cliente e mais assertividade nos resultados. Não se trata de olhar pra realidade com arrogância, mas sim atribuir sentido a ela para além de percepções exclusivamente empíricas. Dar fundamento às coisas, na minha avaliação, faz toda a diferença, para ser ouvido como comunicador e ter um diálogo mais fluido com todos os interlocutores, seja na sala de aula seja no mercado”, esclarece Paulo.

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