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Aviso de conteúdo racista no Disney+ pode ser uma chance para educar filhos

Redação

Para os assinantes da plataforma de streaming Disney+ no Brasil, a estreia contou com uma nova prática para o ramo: exibir antes da exibição um aviso em filmes ou desenhos que tenham representações racistas. A mensagem diz: “Este programa inclui representações negativas e/ou maus tratos de pessoas ou culturas. Esses estereótipos eram incorretos na época e continuam sendo incorretos hoje em dia. Em vez de remover esses conteúdos, queremos reconhecer o impacto nocivo que eles tiveram, aprender com a situação e despertar conversas para promover um futuro mais inclusivo juntos. A Disney tem o compromisso de criar histórias com temas inspiradores e motivadores, que reflitam a diversidade da experiência humana no mundo todo. Para saber mais sobre o efeito dessas histórias na sociedade, acesse www.Disney.com/StoriesMatter.”

 

Segundo especialistas consultados por Tilt, este tipo de aviso é importante, pois reconhece problemas do passado e ainda serve de oportunidade para discutir o tema com crianças.

 

 

Por que importa

Desde a estreia em novembro de 2019 nos EUA, o Disney+ já inclui alguns avisos, e havia a expectativa de que a companhia também disponibilizaria esses alertas no início do filme no Brasil. Por aqui estão rolando tais notificações, mas aparecem apenas em obras específicas, a maioria delas bem antiga.

 

Para ter uma noção dos conteúdos problemáticos, a animação “Você já foi à Bahia?” (1944) retrata o Brasil como se fosse uma selva, enquanto o continente latino-americano é tratado de forma bem estereotipada. Em “Dumbo” (1941), há um corvo que se chama Jim Crow, que faz referência a um conjunto de leis segregacionistas dos EUA do século 19, além de ser uma forma depreciativa de se referir a negros.

 

“Não alertar sobre os problemas contidos nessas representações traz a impressão de que ‘é só ficção’, que não corresponde ao modo como nos relacionamos com as pessoas hoje em dia”, argumenta Wanderson Nascimento, professor de filosofia especializado em relações raciais da UnB (Universidade de Brasília). Para ele, a questão é que manifestações artísticas têm o poder de fortalecer determinadas narrativas.

 

“Não é porque alguém assiste a um filme de guerra vá sair por aí querendo atirar nas pessoas. A cultura que sustenta os valores da guerra é, de algum modo, fortalecida pela representação fílmica. E é de valores, sentidos e seus impactos que trata essa questão.”

 

Para Ellen de Lima Souza, coordenadora do grupo de pesquisa Laroyê, voltado a pedagogias ligadas à cultura negra, este tipo de aviso é relevante, pois muita gente cresceu assistindo a este tipo de conteúdo e isso ajuda no debate sobre discriminações de raça, origem e outras. “São muitas ideologias que criam a ideia de subalternidade. Isso vai além do racismo, pois também compreende ideologias machistas, de violência e hiperssexualização”.

 

Apesar dos avisos, a plataforma não diz claramente a questão problemática em cada obra; para saber isso, só pesquisando na internet mesmo.

 

O que fazer?

Como ninguém nasce com preconceitos, o tema do racismo deve ser discutido abertamente. “Quanto mais cedo as intervenções educacionais antirracistas ocorrerem, maior é a chance de formarmos uma pessoa antirracista, capaz de perceber que certos gestos e práticas impactam negativamente as pessoas que são de um padrão hegemônico de poder”, diz Nascimento.

 

Muitas vezes são as próprias crianças que trazem o assunto. Segundo Souza, os responsáveis devem também pensar criticamente no que é consumido pelas crianças. “Diferente dos anos 1980 e 1990, já existe toda uma gama de brinquedos com representatividade negra. É possível encontrar facilmente livros e histórias juvenis abordando uma diversidade maior de assuntos”.

 

Vale ressaltar que esses conteúdos “problemáticos” só são disponibilizados no perfil principal do Disney+. Os assinantes da plataforma têm a opção de criar um perfil infantil para os filhos, onde aparecem apenas conteúdos para este público, o que exclui estes com avisos. Os responsáveis também podem criar um PIN de quatro dígitos para limitar o acesso das crianças ao app

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