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Agências Cearenses e a Pandemia: empresas otimizam parceria com clientes

Redação

Diante da pandemia, as agências de comunicação tiveram que se acostumar com uma nova rotina, com novas formas de realizar o trabalho e até mesmo com outro modo de se relacionar. Algumas atividades que eram feitas de forma simples ficaram mais difíceis de serem realizadas por necessitar diretamente do contato humano. Uma delas são o relacionamento entre empresas e clientes. Com toda a incerteza no cenário atual, é importante comunicar-se com os clientes e com a equipe com muita empatia.

 

Novos formatos de reuniões e nova forma de comunicar foram opções para as agências otimizarem o relacionamento com os clientes na pandemia. Nesta publicação da série exclusiva do Nosso Meio “Agências Cearenses e a Pandemia”, conversamos com as agências: Bolero Comunicação, Crivo Comunicação e Inspira Comunicação.

 

 

Bolero Comunicação

O Sócio-diretor da Bolero Comunicação, André Mota, conta que quando recebeu a notícia do lockdown, a agência estava com cinco campanhas grandes produzidas, aprovadas, esperando apenas a veiculação. “As campanhas simplesmente perderam totalmente o sentido de serem veiculadas naquele momento. Perdemos de cara essas campanhas. Também tivemos dois ou três clientes que rescindiram o contrato, outros clientes maiores também nos procuraram para gente rever a negociação durante o período. Tivemos que dar mais uma enxugada na negociação deles, que eram clientes que a gente tinha uma remuneração mensal. Foi cada vez mais diminuindo a possibilidade de qualquer receita. Pensei ‘e agora? estou com uma equipe com mais de 60 pessoas, o que vou fazer para pagar essa turma toda?’, precisei dar inicio a uma estratégia”, explica.

 

“Eu juntei toda a equipe e ao invés de ficarmos retraídos, de tentarmos enxugar as nossas despesas, esperar a chuva passar para ver o que poderia acontecer para melhorar a situação, falei ‘vamos arriscar!’, quis realizar uma grande ação social, pois vi que era necessário naquele momento. Tentei enxergar o que as pessoas menos favorecidas que eu estavam passando. Pensei que se a minha situação estava difícil, imagina a situação de uma pessoa que é assalariada, ou que muitas vezes nem se quer ganha um salário para manter uma família inteira, uma mãe solteira com quatro filhos, que mora em uma comunidade carente. Então, pensei ‘como é que essa pessoa está se virando agora? Como é que um camelô está se virando nesse momento?’, porque agora não tem mais evento. Pensando nessas pessoas e trabalhadores autônomos que iam ficar totalmente sem fonte de renda, a gente tinha que tentar fazer algo, servir de instrumento para melhorar a situação de alguma forma”, explica André.

 

“Buscamos usar toda a nossa expertise, todo nível de relacionamento e parceria que a gente tem, junto a vários veículos de comunicação que apoiaram em massa, junto à sociedade civil, junto a rede pública também. Buscamos o apoio de todos os lados e conseguimos fazer um movimento muito forte com o projeto Supera Fortaleza. Durante o projeto, passamos a estudar cada vez mais sobre a pandemia, sobre os impactos e tudo que estava acontecendo. E a partir disso, começamos a propor para todos os nossos clientes uma comunicação voltada para aquele momento que estava acontecendo. Se eu estou ajudando dessa forma, como será que os meus clientes também podem colaborar? Uns podem colaborar instruindo a população, falando o que deve ser feito, outros podem colaborar apoiando o Governo, a Prefeitura, as ações de isolamento social, tudo que estava sendo feito para poder salvar vidas. Outros ajudando a arrecadar alimentos e fazer, de alguma forma, a sua parte para que as coisas melhorassem”, esclarece o sócio-diretor.

 

André diz que começou a criar diversas campanhas e propor para todos os clientes da Bolero e algumas delas começaram a acontecer. A agência passou a fazer filmes sobre a pandemia e o faturamento começou a melhorar mais uma vez, gerando receita. Com o projeto Supera Fortaleza foi arrecadado 250 toneladas de alimentos e quase três milhões de reais que foram distribuídos para as famílias carentes em forma de um voucher de 200,00 para cada uma. “Conseguimos reunir naquele momento 239 entidades, desde empresas a veículos de comunicação, a prefeitura de Fortaleza e todo mundo que de alguma forma pudesse colaborar estava envolvido naquele projeto. Deu tudo muito certo”, comenta.

 

“Além de não ter demitido ninguém por conta da pandemia, nós tivemos cerca de 15 contratações e atualmente estamos fazendo uma reforma no nosso prédio. A agência está toda em formato home office ainda e vamos continuar assim até as coisas melhorarem para que a gente possamos ter realmente mais segurança em trabalhar com todos juntos. Nós crescemos durante o período da pandemia, conquistamos cerca de sete clientes e agora estamos tentando colaborar da melhor forma possível para que as pessoas também possam ser beneficiadas de alguma forma através de algo que possamos fazer. Já estamos trabalhando em outra ação social que vai dar início próximo mês juntamente ao Shopping Iguatemi e também com várias outras pessoas”, finaliza.

 

Inspira! Comunicação

Monika Vieira, CEO da Inspira Comunicação destaca que a Inspira é uma das agências mais recentes e pioneira em relação ao formato home office. “Temos quatro anos, mas há três anos eu optei por cancelar a estrutura física, cancelar as questões convencionais para justamente trabalhar a proatividade, produtividade, criatividade que nós profissionais de comunicação temos e que muitas vezes somos limitados por questões de horários e questões tradicionais. Então devido a essa expertise que a Inspira adquiriu em relação ao trabalho remoto, com a pandemia, os nossos profissionais acabaram não sentindo tanto esse impacto, diferente de outras empresas que tiveram que remodelar toda a sua forma de gestão. Nós já utilizávamos a automatização dos serviços, a utilização de nuvem e de outros recursos tecnológicos para mantermos os processos de entrega e processos de gestão ativos. Com a pandemia, o único ponto é que antes tínhamos nossos encontros presenciais de capacitação e desenvolvimento da turma e devido a pandemia, isso foi abolido e atualmente, os nossos treinamentos estão de maneira remota”, explica.

 

“No início da pandemia, fizemos um comitê de crise diário para pensar em estratégias de como se ajudar e como ajudar os nossos clientes diante da crise. Com a segunda onda, optamos por não fazer isso pois já não havia necessidade, estávamos adaptados em relação a isso. Então, fomos case e ajudamos alguns colegas de como se adaptar ao trabalho remoto. A Inspira também acabou transcendendo, antes tínhamos apenas colaboradores locais e agora temos em São Paulo, Rio de Janeiro e em outras regiões. Outro ponto importante é o suporte de sempre se fazer presente mesmo não estando presencialmente com a turma”, afirma Monika Vieira.

 

Monika conta que a agência está trabalhando os clientes, melhorando o atendimento e ampliando a parceria. Além do suporte com gestão de crise, a Inspira está dando suporte com a saúde mental dos clientes, enviando mensagens, playlists, para mantê-los conectados. “Iniciamos uma série de conteúdos para ajudar empreendedores e empresários que precisavam se adaptar ao universo digital. Com a pandemia, a Inspira acabou se transformando em um grande ecossistema de marketing e comunicação composto por jornalistas especialistas e hoje atuamos em formato de projetos baseados em entrega e resultados com propósito de ajudar empreendedores a digitalizarem suas marcas e como potencializar os seus resultados”, conta. A CEO comenta que a agência vem tendo uma procura positiva e adquirindo novos clientes devido o crescimento da digitalização de muitas empresas.

 

Crivo Comunicação

David Correia, sócio-diretor da Crivo Comunicação explica que desde março de 2020, toda a equipe está em formato home office, mesmo após a flexibilização, a agência preferiu que todos trabalhassem de casa e desde o primeiro dia foi oferecido cadeiras, máquinas, computadores para quem precisasse levar e a agência está esperando o melhor momento para o retorno presencial. “No ano passado fizemos algumas reuniões presenciais com clientes. Nós tivemos apenas dois encontros presenciais com a equipe, atualmente temos feito reuniões virtuais todo início de semana para bater a pauta, saber o que ficou pendente da semana passada, o que está dando certo, o que não está dando certo, é um alinhamento que temos toda semana”, conta.

 

“A gente já fazia o uso de uma plataforma muito boa, que é o ‘Agência Sys’, usamos essa plataforma desde que a agência foi aberta em 2014. É uma plataforma muito boa, para gerenciar pautas, financeiro, mídia, produção, é próprio para agência de publicidade. E isso nos dá uma organização muito grande, visualizamos de forma muito fácil o que precisa sair logo, o que que não precisa, qual a quantidade de horário foi gasta em cada trabalho, então isso nos dá uma organização muito grande para quem está trabalhando a distância. Durante esse último ano ajudou, a plataforma nos ajudou muito para termos um melhor controle à distância, saber o que cada cada colaborador está fazendo, qual o trabalho que está sendo concluído, qual está em andamento, tudo é por conta dessa ferramenta”, explica David Correia.

 

“Mesmo alguns clientes em horários reduzidos ou quando estavam fechados, não deixamos de fazer reunião. Fizemos reuniões virtuais para poder se antecipar, planejar, a cada novo decreto que saía a gente fazia reunião com a equipe e reunião com o cliente para podermos estar sempre pensando de acordo com as novas normas, seguindo os novos horários, o que poderia e o que que não poderia, se seria a hora de fazer uma mídia mais forte no digital, se seria a hora de fazermos uma mídia de ir para a rua, então cada decreto a gente sabe que muda tudo, por isso é muito importante estarmos o tempo todo em contato com o cliente e com a equipe”, comenta.

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