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A Assessoria de Imprensa multifacetada e a pandemia

Juliana Marques

Opinião

 

Em meados de 2015, quando eu ainda finalizava a faculdade, ouvi a expressão “jornalista multifacetado”, ou seja, aquele profissional que possui diversas facetas desempenhando vários papéis. Fiquei com isso martelando na cabeça a semana toda. Um tempo depois, quando comecei a trabalhar em redação, me veio a lembrança dessa aula. Eu, como repórter, era uma verdadeira “se vira nos trinta”. Produzia, gravava vídeos para as redes sociais, fazia participações ao vivo para as rádios, editava minhas matérias e, às vezes, sonorizava também. O mercado exige, cada vez mais, profissionais que acompanhem as mudanças e que usem as tecnologias a seu favor.

 

Trazendo a reflexão para o contexto de pandemia e para minha atuação como profissional da comunicação, hoje trabalhando como assessora de imprensa,  percebo o quanto essa realidade faz ainda mais sentido diante de uma crise sanitária. O mundo parou; mas, para além dos serviços indiscutivelmente essenciais à vida, como saúde e alimentação, as notícias também não podem parar (especialmente agora em um contexto de fake news). No entanto, para que essa engrenagem continue girando de uma maneira eficaz, mesmo em uma realidade tão diferente da que estamos acostumados, é mais que necessário que haja a parceria dos colegas da imprensa com os que atuam em assessorias e vice-versa. É um trabalho de mão dupla.

 

Com a chegada da pandemia, várias redações tiveram que adaptar seus modelos. Jornais impressos, rádios, TVs, podcasts e portais de notícias passam a atuar, em sua grande maioria, em um rodízio frenético entre o homeoffice improvisado e a ida do profissional ao local de trabalho. Desta forma, o papel da Assessoria de Imprensa que já vinha em um caminho de transformações até a chegada desta nova realidade, também mudou. O repórter de TV, por exemplo, que antes ia ao local coletar imagens e entrevistas, agora atua em casa, recebendo esses conteúdos que são solicitados diretamente ao assessor da fonte. Do outro lado da tela do computador, ou celular, o assessor, nesse meio campo, orienta seu assessorada/o, explicando como posicionar a câmera, enviando as perguntas, aconselhando a melhor abordagem e até sobre o uso correto da máscara.

 

A era do release tradicional escrito e enviado às redações, que ainda tem o seu valor, ganhou diversos aliados como as sugestões de pautas via WhatsApp personalizadas com emojis e os áudios com conteúdos encaminhados também pela plataforma e que rapidamente se transformam em conteúdo para as rádios ou, no caso dos impressos e portais, em forma de aspas. Há uma contradição em que o mundo, mesmo “parado”, muda constantemente. O assessor de imprensa multifacetado, usa essas estratégias para que a comunicação não pare diante das dificuldades pandêmicas.

 

 

Juliana Marques

Assessora de imprensa, jornalista e escritora (em processo de publicação de dois livros). Sua graduação em jornalismo foi pela Faculdade Cearense, com especialização em Assessoria de Comunicação por meio de uma bolsa integral, alcançada como mérito acadêmico na mesma instituição. Trabalha na Mandalla Comunicação & Design com a mediação do relacionamento dos clientes com a mídia.  Atuou durante cinco anos na produção, reportagem e locução da rádio Tribuna BandNews FM, na editoria de Cidade. Nesse período, fez coberturas importantes como Copa do Mundo e eleições eleitorais. Foi vencedora em primeiro lugar do I Prêmio de Jornalismo da Associação Cearense dos Magistrados, em 2018, com uma reportagem sobre os processos legais da adoção. Tem experiência, ainda, com reportagens para revistas.

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